Infectologista de Campos dos Goytacazes, no RJ, tranquiliza a população da região quanto a mortes em Minas Gerais

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Doença misteriosa matou sete pessoas no estado vizinho do Rio de Janeiro; causas estão sendo investigadas

Uma suposta doença que causou a morte de sete pessoas em Belo Horizonte, Nova Lima e Ubá, em Minas Gerais, está sendo investigada pelas autoridades em saúde dessas regiões. O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde mineiro (Cievs- Minas) emitiu uma nota técnica distribuída para todo o país sobre os procedimentos e apurações sobre as mortes.

Em Campos dos Goytacazes, no RJ, especialistas em infectologia e autoridades em saúde afirmam que não há motivo para pânico, pois ainda não há confirmação laboratorial sobre a causa das mortes. Há várias especulações, mas seria imprudente fazer afirmações no momento.

Os pacientes que morreram em Minas Gerais apresentaram problemas gastrointestinais (náuseas, vômitos e dor abdominal), insuficiência renal aguda e alterações neurológicas (paralisias e  dificuldades na visão).

A diretora de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Campos, Andreya Moreira, lembra que os casos das mortes foram localizados em Minas Gerais, e, portanto, não há motivo para pessoas que vivem em Campos e região se preocuparem. “Como os exames não foram divulgados ainda, eles abriram um aviso por ser uma doença até então sem diagnóstico. Há suposições de intoxicação exógena. Viajantes não têm razão para alarme, pois não há confirmação de causa da doença que segue em investigação”.

Andreya Moreira, que é médica infectologista, recomenda às pessoas que forem para Minas Gerais ou para qualquer lugar em viagens manterem cuidados habituais com bebidas e comidas, além de boa higienização. “Há várias especulações dessas pessoas terem sido intoxicadas por ingestão de algum alimento ou bebida artesanal. Porém, nada foi confirmado por enquanto”, comentou.

Para a médica infectologista Beth Tudesco, sem comprovação laboratorial e sem diagnóstico provável não há razões para alarme ou pânico. “Há várias hipóteses, mas nenhuma comprovada ainda. Há viroses constantes e elas se transformam. Não sabemos, por exemplo, se alguém viajou para fora do Brasil e adquiriu um suposto vírus no exterior”, arrisca.

Especialistas advertem que como ninguém vive isolado em cidades, é preciso cuidado com a higiene pessoal para evitar doenças. “Lavar as mãos sempre, arejar a casa mantendo portas e janelas abertas durante o dia são atitudes simples. Quem for viajar para Minas ou qualquer região, deve-se apenas atentar para crianças que ainda não foram vacinadas. O sarampo está em evidência e há escassez de vacina pentavalente no país. Deve-se redobrar atenção”, sugere Tudesco.

Hábitos simples como lavar as mãos ajudam a evitar doenças e contágios (Reprodução)

Profissionais da saúde coletiva defendem o serviço de vigilância epidemiológica do país por meio das secretarias estaduais e municipais de Saúde. Há uma rede comprometida no Brasil para evitar e combater epidemias. Um exemplo foi a notificação imediata emitida pelo governo de Minas Gerais por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde mineiro (Cievs- Minas). Segue, abaixo, a nota técnica na íntegra:

“Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde

CIEVS-MINAS

Nota Técnica aos Profissionais de Saúde

Emergência em Saúde Pública

Insuficiência renal aguda associada a alterações neurológicas de etiologia a esclarecer

Janeiro de 2020

Em 30 de dezembro de 2019, o CIEVS Minas foi notificado da ocorrência de um caso de insuficiência renal aguda com alterações neurológicas de etiologia a esclarecer de paciente internado em hospital privado de Belo Horizonte. Em 31 de dezembro foi notificado um segundo caso com a mesma sintomatologia, internado em hospital de Juiz de Fora.

A partir dessas notificações foi desencadeada uma investigação conjunta do CIEVS Minas / CIEVS BH com o objetivo de esclarecimento diagnóstico e busca de novos casos.

Até 06/01/2020 foram notificados 7 casos suspeitos com o início de sintomas mais precoce datando de 19/12/2019. Os dados iniciais mostraram que 100% dos pacientes são do sexo masculino, mediana de idade 49 anos (23 a 76 anos), 5 residentes em Belo Horizonte, 1 em Ubá e 1 em Nova Lima; 6 deles internados em hospitais da região metropolitana de Belo Horizonte e 1 em Juiz de Fora. A média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias. Todos com insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas.

Exames laboratoriais estão sendo realizados na Fundação Ezequiel Dias (FUNED) para pesquisa de Arboviroses, Febres Hemorragicas, Infecções bacterianas e fúngicas sistêmicas, Doenças Neurolinvasivas, intoxicações exógenas, dentre outras.

A partir da análise inicial elaborou-se Nota técnica com orientações para vigilância do agravo inusitado.

DEFINIÇÃO DE CASO:

Indivíduo que a partir de primeiro de dezembro de 2019, iniciou com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ ou dor abdominal) associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (em até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório, paralisia descendente.”

Fonte: Terceira Via

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